Publicado por: cnosantiagomaior | Dezembro 18, 2008

Ser pequeno, ser ninguém

“Ser pequeno, ser ninguém”, uma expressão utilizada por Carlos Tê e Rui Veloso que retrata todas as pessoas que não sabem ler, mas que possuem uma cultura imensa, advinda das suas experiências de vida. Vida essa feita de trabalho, muito por sinal!

A escola obrigatória e universal para todos os cidadãos, consagrada na constituição da república, nem sempre teve a abrangência prevista. Ainda nos dias de hoje, por incrível que esse facto possa parecer, temos muitos analfabetos em Portugal.

Falo do termo analfabeto na sua vertente “nua e crua”. Não me refiro, para já, àqueles que, sabendo decifrar o sentido das palavras, carecem da capacidade de dar sentido ao que lêem.

Várias são as razões que podemos evocar para que, falemos no nosso caso, ainda exista no concelho de Beja, um grande número de adultos considerados analfabetos, que não sabem ler nem escrever; que não sabem fazer o “simples” acto de assinar o seu nome, num documento qualquer.

Para quem a vida lhes proporcionou a frequência escolar, para quem teve apoio e incentivo, para aqueles que tiveram a oportunidade adquirir competências linguísticas e matemáticas, assinar o seu nome é fácil. Para quem aprendeu, até é. E para quem nunca teve essa oportunidade? E para aqueles que a sua aprendizagem restringiu-se a uma vida de trabalho? Será tarefa fácil? Ou será mesmo uma tarefa árdua e dolorosa quando têm de pedir a alguém que lhes decifre uma carta, que lhes diga o que está escrito na porta do Centro de Saúde e tantos outros casos que poderia apontar?

Ao falar desta situação, lembro-me de algo que li há tempos, numa das minhas pesquisas sobre alfabetização:

Era uma vez uma caneta

Que pesava mais

Do que uma enxada

E deslizava mais lenta

Do que um arado.

Era uma vez…

Uma mão calejada

Que pegou na caneta,

Com muita força,

Com pouco jeito,

E desanimou.

Aquele instrumento de trabalho

Não era para si.

(…)

Estas palavras são de facto o espelho de quem pega numa caneta, num lápis pela primeira vez. Um instrumento tão leve torna-se pesado para quem nunca o teve nas mãos.

 

Música Rui Veloso

Letra Carlos Tê

Artigo Paula Caracóis


Responses

  1. “Aprender é a unica coisa de que a mente nunca se cansa” ( Leonardo da Vinci).
    Obrigada pela Sociedade que estás a tentar modificar.


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